acordei. tomei café, papinho com regina, tapioca, fui para o mar, nadei, voltei, ducha, bons dias, fui para o oeste.
contornei a primeira duna, atravessei um corregozinho de lençol baixo, subi na duna seguinte. chão duro, poucos vestígios. aliás, as dunas são metafísicas. tudo o que ocorre sobre elas está lá, gravado em relevo, até que vai-se apagando lentamente sob novas camadas da própria duna, eternamente envolta no trabalho prometeico de rolar-se sobre si própria. tem rastro de cobra e sombras, tem passos de ontem mas nunca de anteontem, plantinhas, vidinha ínfima, quase silenciosa.
cheguei mais longe do que nunca: na terceira duna, na verdade um prolongamento do C que é a segunda. chegando ali, nova paisagem: muitas dunas, tudo mais vasto ainda. elas, envoltas em verdezinhos aquíferos saindo de seus baixios. voltando o olhar para o retorno (não temos como deixar de fazer isso), outro susto, não menor. a primeira duna, inteiramente enquadrada no mar pelos seus dois lados, amarelinho-manhã, enquanto o mar: esse, de um azul que só rivalizava com aquele outro do céu, sem nuvem alguma.
não tinha levado a máquina, não sei o porquê. aquelas imagens não vêm para esse blog. nem para mim mesmo, que fui tocado. nem estão lá, naquele lugar de coordenadas cartesianas. estão, sim, em algum lugar, só para eu ter que procurá-lo para o resto de minha vida.
voltei, ducha, nadei na piskina. vim escrever na sala.