• chapado & rachando

4 de mai. de 2007

22h, o que fazer, perguntava-se enquanto bodava na rede, ao final daquela tarde tão colorida. resolveu por subir na duna, apreciar as coisas, para variar um pouco dos afazeres daquele dia que, como todos os demais desde que chegara ali, nada tinha de repetitivo, previsível, monótono ou enfadonho...
apreciou aquela lua cheia, que fazia da noite uma coisa civilizada. não era noite selvagem. não obstante, tudo era muito esquisito. fora na noite anterior que vira rastros de cobra pelas dunas afora pi em cima, a lua, bem branca e redonda, e umas poucas estrelas que ousam aparecer numa noite daquelas. fora isso, um azul afundado no preto. nenhuma nuvem. lá em baixo a cidade, pós-faceira, e então viu que nela havia três antenas. duas deviam ser de celular para o jet-set. a outra, da vila kalango, era um coqueiro com o tronco todo enrolado em luzinha meio vermelha, sem pisco. mas lá em cima: é bem alto, imaginou uns 30 metros. à medida em que avançava o cenário ficava mais aberto, chegando-se a uma vastidão que beirava o alcance de limites. enquanto o céu, enorme, era preto, o chão, do mesmo tamanho, era coberto das mais variadas texturas do branco. lá em cima, o vento. de noite, mais suave. uma temperatura ótima. enfim, o vento não era mais quente, como em outras horas do dia (o sopro quente). lá em cima, ninguém, mas povoado de mil fantasmas. um ou outro eventual e silencioso ser errante passava, sempre de camisa branca, parecia combinado. só para ficar estranho. tudo meio longe, nada pertinho. quem será aquele maluco? o que estava fazendo por aqui numa hora dessas? o mesmo que eu? não?? não?. além dessas assombrações, algumas das sombras entrevistas jamais serão desvendadas. tudo branco no chão significa que qualquer sombra ou coisa escura, mesmo ao longe, é vista. afastou-se dali. desceu a duna passou a pinguela entrou na pousada. enfim estava em casa. ia escrever sobre o passeio.